Artigos

6 dicas para escrever poemas

Para muitos poetas, a poesia começou de forma intuitiva, como um fenômeno do qual eles não saberiam dizer a origem. E assim, por grande parte de suas carreiras, continuaram fazendo versos sem a devida reflexão para escrevê-los. Por conta disso, muitos desses escritores não poderiam dar dicas de como se tornar um poeta e começar a escrever poesia. 

No entanto, é certo que, em algum momento da trajetória dos grandes poetas, eles se perguntaram como poderiam aperfeiçoar os seus versos. Para isso, tiveram de se tornar conscientes do ato de escrita e entendê-lo como um processo não apenas derivado da intuição, mas também do raciocínio. E apenas a partir desse momento a poesia poderia ser explicada. 

Se você ainda não começou a escrever poesia ou se já começou, mas ainda não sabe como melhorá-la, estas 6 dicas são dedicadas a você. 

1. Conheça a tradição

A poesia, assim como qualquer outra arte, se baseia na tradição. O aspirante a poeta não pode se deixar levar por pretensões de genialidade, tentando inovar e quebrar regras logo no começo de sua trajetória. Inicialmente, tudo o que você escrever e achar genial com certeza já terá sido feito por um outro poeta. E existe um motivo para que essa suposta inovação tenha sido apagada da história. 

Assim, o primeiro conselho ao aspirante a poeta é conhecer os conceitos básicos da poesia, como a melopeia, fanopeia e logopeia e a diferença entre prosa e poesia.

Também é importante o conhecimento da boa poesia consagrada na tradição: Homero, Virgílio, Dante, Shakespeare, Baudelaire, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, João Cabral de Melo Neto e mais algumas dezenas de poetas que servirão para refinar o seu gosto. Além dessas leituras apresentarem os melhores poemas já feitos na história, você conhecerá a trajetória da poesia e a evolução de sua linguagem e técnicas. 

Por fim, veja o que diz Marcus Accioly, poeta pernambucano, em seu manifesto poético:

“Conservar a tradição como tradição é parar a história ou inverter o tempo; escrever sem uma raiz clássica é o mesmo que plantar uma árvore no ar.”

2. Crie parâmetros

Esta dica está intrinsecamente ligada à dica anterior. Você deve conhecer os grandes poetas e utilizá-los como parâmetro para os versos que você já escreveu.

Mirando nos grandes, ainda que esteja longe de acertá-los, você estará bem mais próximo da excelência do que o aspirante que não conhece a tradição e apenas lê os poetas próximos de si. Da mesma forma pensava Gustave Flaubert

“Quando nos comparamos ao que nos cerca, admiramos a nós mesmos; mas quando levantamos os olhos para cima, para os mestres, para o absoluto, para o sonho, como desprezamos a nós mesmos”

3. Estude a técnica 

Apesar de negligenciada por muitos, a técnica faz parte dos instrumentos de ofício do poeta. Ela facilita o trabalho do escritor. Por exemplo, se eu estou escrevendo um poema e preciso dar cadência aos meus versos, saberei como fazê-lo, pois conheço os recursos necessários para isso. 

Assim, não despreze a técnica e leia livros voltados à poesia, como o Manual de Versificação, de Olavo Bilac e Guimarães Passos, e A arte do poeta, de Murillo Araújo. 

Além disso, como exercício é importante que você analise bons poemas, entendendo como os seus efeitos foram produzidos e quais recursos foram utilizados. 

4. Não espere por inspiração

A ideia de poeta inspirado sempre esteve no imaginário popular, daí a invocação às musas que inicia todo poema épico. No entanto, poucos poetas escrevem estritamente sob o efeito da inspiração. Na vida real, o ato de escrita ocorre de maneira exaustiva, e alguns o exercem diariamente. Isso acontece porque o ofício se aproveita da prática, e a criatividade e o uso das técnicas literárias devem ser exercitados frequentemente para que se aperfeiçoem. 

Não estou dizendo que a inspiração não existe; porém, na prática, ela tem menos importância do que as pessoas costumam acreditar. 

5. Seja sincero consigo

Sendo um bom leitor, é necessário que você reconheça as qualidades e os defeitos de seus versos. Isso significa que você não deve ser autoindulgente e achar que o seu poema é genial apenas porque você o escreveu. Esse é um ímpeto natural do escritor – sujeito vaidoso –, e a autoanálise é difícil, principalmente se o poema tiver sido escrito há pouco tempo. Assim, uma forma de driblar o ego é deixar que o poema descanse por uns dias ou semanas, pois o entusiasmo de tê-lo escrito terá passado e você poderá analisar a sua obra friamente. 

6. Tenha um mestre ou a quem recorrer

Sabendo que a autoavaliação é um processo difícil, e que nunca seremos totalmente imparciais a respeito de nossa própria obra, é importante que tenha um mestre. Ele vai apontar os seus erros e indicar o caminho para que os corrija. Além disso, cabe-lhe ajudar você a ler melhor, analisando e ensinando os aspectos formais do poema que são de interesse de qualquer poeta.

Porém, há muitas barreiras para que você encontre um mestre de qualidade, isto é, um que realmente saiba e se dedique à poesia. Muitas vezes eles são poetas antigos e não adeptos às tecnologias, ou são acadêmicos inacessíveis ou mesmo professores em caras oficinas literárias. Assim, o mais comum é que você tenha amigos que também se dedicam à poesia, para discutir os seus versos e trocar conhecimento literário. Essa é uma prática produtiva e comum entre os poetas: é só lembrar que Rimbaud teve Verlaine, Baudelaire teve Gautier e Drummond teve Mário de Andrade e Bandeira.

Quer saber mais? Não hesite em nos pedir ajuda no Instagram!

Um comentário

  • Mozaniel Almeida

    Parabéns pelo ótimo artigo. Eu escrevo no Site Recanto das Letras e tenho notado com alguma frequência essas debilidades.
    É, comum, pessoas que se dizem poetas/ poetisas escreverem bobagens e batizá-las de SONETO. Na maioria dos casos, sem métrica, sem estilo e formato.
    Espero que ser artigo tenha eco em muitas almas.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *