Linha Editorial

1. O conteúdo da Logopeia é focado em um recorte específico de poesia, que é a poesia lírica de Machaut para cá. Isso não significa que ignoremos o resto da História da Literatura, mas sim que optamos por comentar um recorte mais recente dessa história. Já que os gêneros são catalogados após sua criação, não antes, sabemos que essa definição não é tão fixa como pode parecer após uma explicação de duas linhas. Podemos, então, recorrer ao que explica o autor Lujan em seu livro Como se comenta un poema: a partir do Romantismo, a chamada poesia foi subdividida em três gêneros (lírico, épico e dramático), de modo que trabalhamos com o primeiro. No entanto, como diz o autor, “as obras de teatro ou épicas escritas em versos incluem passagens de alto teor lírico, a ponto de isolados de seu contexto poderem ser considerados um verdadeiro poema” [em tradução livre].

2. Falamos de poesia pelo ponto de vista de poetas, usando conceitos acadêmicos como auxiliares à exposição do que pensamos (não condutores do que pensamos). O que isso significa? É comum comentarmos a poesia pelo ponto de vista artístico e da criação literária, por mais que busquemos embasar o que falamos em sólidas referências teóricas e metodológicas.

3. Comentamos poemas buscando a objetividade, com ênfase nos aspectos formais e técnicos do poema, mas não nos limitamos ao que é objetivo, fazendo juízos de valor e juízos de gosto. Conforme diz Massaud Moisés na introdução de sua obra A Criação Literária, “o gosto público, seja do leitor, ou do crítico mais especializado, longe está de ser uniforme”. O autor salienta que, além das técnicas e métodos, o meio social também influencia os juízos que fazemos. Não se trata de uma matemática: há uma série de fatores que influenciam uma opinião, por simples que seja, e buscamos torná-las evidentes aos nossos leitores através dos nossos textos, como fazemos agora.

4. Acreditamos ser benéfica uma definição mais estrita do que é poesia e do que não é do ponto de vista da criação literária, desde que não caiamos no formalismo. Por isso, temos uma série de concepções que são explicitadas em nossos textos:

– Nem tudo que está em versos é um poema, caso contrário esta seção seria.
– A poesia tem fim estético, deixando como secundárias quaisquer outras finalidades.
– Todo poema é composto, necessariamente, por melopeia, fanopeia e logopeia.