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O que é um soneto?

É bem provável que você tenha se deparado com um soneto já nas aulas do Ensino Fundamental. O soneto é um dos mais conhecidos e apreciados gêneros poéticos, com uma longa história que remonta aos séculos XIII e XIV. 

Mas por que essa é a forma fixa mais popular e continua cativando leitores e poetas até hoje? 

Neste artigo, exploraremos o significado e a estrutura dessa forma poética tão única, fornecendo exemplos de poemas eternizados em nossa memória.

O que é um soneto?

Soneto é uma forma poética composta por 14 versos, geralmente divididos em dois quartetos e dois tercetos. Quartetos são estrofes de quatro versos; tercetos são estrofes de três versos.

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É bem comum que cada verso de um soneto tenha dez sílabas poéticas — são os chamados decassílabos. No entanto, existem sonetos que utilizam outros versos, como os sonetos com versos alexandrinos (12 sílabas poéticas) e até em redondilha maior (versos de 7 sílabas poéticas).

Mas por que essa estrutura? A estrutura do soneto propõe um ritmo e uma musicalidade distintos das demais formas fixas. Além disso, cada uma das estrofes cumpre funções específicas na estrutura. 

Os dois quartetos iniciais servem para criar expectativa no leitor, sugerindo tensão. Os dois tercetos servem para a resolução, causando surpresa e satisfação pelo desenlace da expectativa. 

O soneto não é estático — ele sugere movimento: o problema é proposto, se desenvolve e é resolvido. A resolução, geralmente no último verso, pode ser deca durabolin chamada de “verso de ouro”. 

O crítico literário Massaud Moisés explica que a beleza do soneto reside no equilíbrio compensador entre o estado de expectativa e a atitude de marcha para o desfecho. 

Tipos de sonetos

Além de sua estrutura rítmica, o soneto segue padrões rigorosos de rima e métrica. Existem duas formas principais de soneto: o soneto italiano (ou petrarquiano) e o soneto inglês (ou shakespeariano).

O soneto italiano é o mais praticado no Brasil, consistindo em dois quartetos e dois tercetos, geralmente escritos em versos de dez ou doze sílabas. 

Seu padrão de rimas mais utilizado é o ABBA ABBA CDE CDE, podendo variar e apresentar alternativas. Por vezes, o soneto pode, inclusive, não ter rimas, sendo caracterizado como um soneto branco.

Por outro lado, o soneto inglês possui três quartetos iniciais e um par de versos finais (chamado de dístico), também escritos em versos de dez ou doze sílabas poéticas. Seu padrão de rima mais comum é o ABAB CDCD EFEF GG. Porém, novamente, pode apresentar outras configurações. 

Como surgiu o soneto?

O soneto surgiu durante o período medieval, mais especificamente no século XIII, provavelmente pelo poeta siciliano Giacomo da Lentini. Porém, a forma foi aperfeiçoada e desenvolvida nas mãos de outros italianos, como Guido Cavalcanti, Petrarca e Dante, ainda hoje considerados grandes nomes do cânone literário. 

A partir do século XVI, essa forma fixa começa a ser divulgada fora da Itália, adaptando-se às suas línguas e às tradições literárias de cada país. 

Na Inglaterra, onde o soneto adquiriu nova estrutura estrófica, a forma foi popularizada por William Shakespeare, Edmund Spenser e Sir Philip Sidney, abordando temas de amor e de envelhecimento.

Acredita-se que a prática do soneto em língua portuguesa também começou no início do século XVI, chegando a Portugal com Sá de Miranda, em regresso de uma viagem à Itália. Assim, inicia-se a história do cânone camoniano, que além de cristalizar a prática dos versos heróicos, também popularizou os padrões de rima ABBA ABBA CDC CDC, ou CDE CDE.

No Brasil, a prática só foi consolidada no século XVII, seguindo os moldes camonianos, com os poetas da Bahia, como Gregório de Mattos, seu irmão Eusébio de Matos, Gonçalo Soares de França e João de Brito Lima. 

Desde então, tem sido uma das estruturas mais usadas da poesia brasileira, com breves interrupções resultantes dos movimentos subversivos à tradição, como a primeira fase do modernismo brasileiro. Porém, essa subversão também foi responsável pela renovação do soneto — pela forma, como fez Jorge de Lima, e pelo conteúdo, como fez Drummond. 

4 exemplos de sonetos

1. Soneto escrito na parte 26, da Vida Nova, de Dante Alighieri 

Parece tão gentil, tão recatada,
minha senhora quando alguém saúda,
que toda a língua treme e fica muda
e olhá-la até seria ideia ousada.

Quando ela passa, ouvindo-se louvada,
benignamente a humildade a escuda,
tal uma cousa que do céu acuda
à terra, por milagre revelada.

Tal graça ao coração de quem na mira
está pelos olhos uma doçura a pôr
que não pode entender quem a não prove;

e dos lábios parece que se move
um espírito suave e só de amor
que vai dizendo à alma assim: Suspira.

(Trad. de Vasco Graça Moura)

2. Soneto 23, de William Shakespeare

Qual ator canastrão que, ao ser posto na cena, 
Não se lembra das falas por medo e aflição, 
Ou o ser bestial cuja fúria apequena, 
De tão grande, a bravura no seu coração;
Eu também me esqueci, inseguro e sem brio,
Das palavras perfeitas dos ritos do amor,
Parecendo que minha paixão sucumbiu
Sob o peso massivo do próprio vigor. 
Lê então nos meus olhos a pura eloquência
E os prenúncios sem voz deste peito loquaz, 
Suplicante de amor e a buscar recompensa,
A dizer mais que as línguas que falam demais. 
        Oh! Decifra do amor os silentes escólios,
        Pois é tino do amor escutar com os olhos.

(Trad. de Emmanuel Santiago)

3. Carta, de Carlos Drummond de Andrade

Há muito tempo, sim, que não te escrevo.
Ficaram velhas todas as notícias.
Eu mesmo envelheci: Olha, em relevo,
estes sinais em mim, não das carícias

(tão leves) que fazias no meu rosto:
são golpes, são espinhos, são lembranças
da vida a teu menino, que ao sol-posto
perde a sabedoria das crianças.

A falta que me fazes não é tanto
à hora de dormir, quando dizias
“Deus te abençoe”, e a noite abria em sonho.

É quando, ao despertar, revejo a um canto
a noite acumulada de meus dias,
e sinto que estou vivo, e que não sonho.

4. Soneto a Vermeer, de Alberto da Costa e Silva

De luto, a minha avó costura à máquina,
e gira um cata-vento em plena sala.
Vejo seu rosto, sombra que a janela
corrompe contra um pátio amarelado

de sol e de mosaicos. Sobre a mesa,
a tesoura, um esquadro, alguns retalhos
e a imóvel solidão. A minha avó,
com os seus olhos azuis, o tempo acalma.

A minha avó é jovem, mansa e apenas
a limpidez de tudo. Sonho vê-la
no seu vestido negro, a gola branca
contra o corpo de cão, negro, da máquina:

a roda, de perfil, parece imóvel
e a vida não se exila na beleza.

Conclusão

O soneto é uma forma poética deslumbrante que combina estrutura, métrica e rima para transmitir ideias e emoções de maneira poderosa. Sua popularidade ao longo dos séculos é um testemunho de sua capacidade de encantar e intrigar leitores e poetas. 

Ao explorar a rica história e os exemplos notáveis de sonetos, podemos desenvolver um apreço mais profundo por esse gênero literário e seu impacto duradouro. Portanto, não hesite em mergulhar no mundo dos sonetos e descobrir o sentimento estético que eles são capazes de oferecer.

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4 Comentários

  • ANTÔNIO OLIVEIRA DO NASCIMENTO

    Apreciei a tão boa explanação sobre essa tão bela expressão poética. Amei e espero ler mais a respeito para aprender mais.
    Muito obrigado

  • Pedro M. Ferraz

    Ei pessoal, eu precisava dizer que tô adorando esse blog,
    sério mesmo, o conteúdo é sensacional e a vibe aqui é top
    demais! Mas olha só, pintou uma dúvida: como é que vocês
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  • Hélio Rubano

    Hora do por do sol
    Hora do por do sol, nostálgica e serena.
    Que pinta no horizonte aquelas cores fortes
    e afasta do desejo as turbidas cortes,
    enchendo os corações da mais estranha pena.

    Que põe na minha mente essa vaga e terrena
    meditação que tem ressaibos de mil mortes.
    E me faz ouvir em místicos transportes
    a plangencia sutil de invisível sirena.

    Traz ao meu pensamento o bem de que preciso.
    A força para agir contra o mal que diviso,
    que enche minha alma de delusões a esmo.

    Satura o meu ideal de atroz melancolia,
    aparta desse enleio a perfida energia,
    porque não posso mais lutar comigo mesmo.

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