A ponte São Francisco está submersa.
O mar faminto devora a cidade:
afoga os casarões pelas janelas
e os homens estrangula a água suave.
Enquanto São Luís morre depressa,
e o sol, com brilho espectral, tudo invade
(refletindo a escama, tez de arestas)
como se a morte fosse uma obra de arte,
distante dos destroços a Serpente,
qual Nero namorando Roma em chamas,
assiste por meio do âmbar a cadente
maquete se engasgar co’a própria entranha.
— E o sorriso era como se dissesse
que as profecias são no fundo uma prece.