I.
Antes de tudo do ouro e do barro
sob o tédio do mar estático
afundava o braço cariciava a terra
que entre os dedos se espremia que em colunas subia
ficava
algumas porções eram ilhas outras continentes
II.
Antes do ouro pensou no brilho
e à medida de Seus olhos
inventou o sol
o mormaço roçando a superfície
as coisas tomaram cor
a textura agora azul:
manta do astro de ouro
III.
A novidade envelhecia
sol e chuva sulcavam a pele barrenta
no continente cresceu
uma verde pubescência
como se escondesse as marcas do tempo
IV.
Mesmo com o sopro
o movimento rareava
V.
No primeiro ato do primeiro pássaro
no céu baixado
mergulhou
de pelúcia
não sabia que água lhe pesava a paina
pois não podia levantar voo
virou bicho do mar
VI.
Dos bichos terrestres um bípede
carregava a Forma e a Fagulha
a mão cariciava a terra
brotavam tubérculos
da faísca de sua testa
despertou o fogo
VII.
Foi depois do fogo que a noite encurtou
do sono extinto restou o tédio
sopravam o verbo dobravam o abstrato
e a simetria da forma
foram falseando