E corre o tibira na mata cortante,
seu corpo se esquiva — tomado por sangue —
de balas e flechas lançadas por índios;
seus arcos rendidos às rezas dos frades
apontam, depostos de orgulho e vontade,
ao rumo por onde seguiu seu amigo.
Queriam-no preso os cristãos invasores;
louvado a manhã, tossido os tambores,
um falso converso acusava o roteiro:
com duas batidas passava o aviso
que iriam seguir as veredas do espinho
pois tinham seguido os sinais de seu cheiro.
“É cheiro de herege esse ranço que impregna,
de quem sentirá as amarguras das trevas,
pois, feito animal corrompido e devasso
— se pelo tivesse, um macaco semita — ,
ultraja o Senhor com ações sodomitas
e deve morrer pelos índios já salvos.
“Por isso é tibira, e seus passos, quais peste,
as flores encinzam, a relva apodrecem,
deixando somente cipós de urtigão.
Então, se desejam a bênção de Cristo,
vão logo pegá-lo e capturem-no vivo,
pois deve morrer encarando o canhão.”