— Quando eu for embora vocês vão sentir
a minha falta! — E como eu sinto, Doris,
Doris, e como eu sinto. Pois a criança
corre, cresce, caça as borboletas que engole,
mas nunca volta ao ventre que a pariu.
Esse fruto (muito mais pomar do que flor,
que se removido ainda deixa resquício)
é responsável pela minha tia, meu tio
e minha mãe:
seu pai lhe escapuliu, seu noivo se matou,
mas o broto — pela fé ou teimosia —
sempre se sagra, ainda que sangre.
Escorre o sangue sobre o leito, sim,
mas do ventre dessa musa então nasci.
E ainda que recorde as flores despetaladas,
esparramadas pelo chão de abril,
eu sei que matriarca é matriarca. Você foi,
Doris, suas filhas foram, e você nem viu.