Poemas

“Arquipélagos”, um poema de Derek Walcott

Arquipélagos, I

Ao fim desta frase, começará a chover.
Pela margem da chuva, um barco.

Veleiro longeando a visão das ilhas;
a crença nos portos de toda uma raça
adentra a neblina.

A guerra de dez anos finda.
O cabelo de Helena, uma nuvem cinza.
Tróia, fosso branco
no mar garoante.

Os pingos se esticam como cordas de harpa.
Um homem de olhos brumosos colhe a chuva
e brota a primeira linha da Odisséia.

tradução: Alberto Pucheu

I Archipelagos

At the end of this sentence, rain will begin.
At the rain’s edge, a sail.

Slowly the sail will lose sight of islands;
into a mist will go the belief in harbours
of an entire race.

The ten-years war is finished.
Helen’s hair, a grey cloud.
Troy, a white ashpit
by the drizzling sea.

The drizzle tightens like the strings of a harp.
A man with clouded eyes picks up the rain
and plucks the first line of the Odyssey.

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